Meu Jeito
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Peço licença patrão, Me apresento bem assim, E o sangue que trago em mim Por parte de mãe e pai, Italiano e Paraguai, Esta é minha procedência, Nativo desta querência Fronteira com o Uruguai.
Nasci bem numa coxilha, Na costa do Ibicuí E o cerro do Batoví. Me bombeava do outro lado Na imponência de soldado Sem se mover do lugar. Banhado pelo luar, Este candeeiro sagrado.
Venho do oco do campo, Do galpão de santa-fé, Da panela de três pé, Pendurada na cumeeira Frossura, pata, coalheira. Cardápio bagual sem luxo Pois é a bóia do gaúcho Criado em lida campeira.
Fui criado a campo fora, Livre como pensamento, Venho do lombo do vento De rédeas firme na mão, De espora no garrão, Pra pentear o macegal, Assim como um temporal, Varrendo o lombo do chão.
Não tenho nada de estudo, Sou meio grosso e quadrado. Muito pouco falquejado Pelo machado escolar. Mas aprendi a respeitar, Da criança até o idoso. Sou calmo e não sou maldoso E sei quando me calar.
Sei escutar os mais velhos, Porque o respeito é bonito. Ninguém me ganha no grito, Não que eu seja melhor Mas também não sou pior, Tenho minhas qualidades E defeitos a vontade, Uns bem grandes e outros menores.
Este é meu jeito patrão Que lhe contei na poesia Pois acredite, sou cria Das coxilhas e canhadas Dos corredores de estradas Da minha fronteira Oeste Pois trago nas minhas vestes A identidade estampada