Alma em Verso
Poesia

meu poema de angustia na espera maior

José Hilário Retamozzo

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A espera cansava e a guerra não vinha. — Onde é que anda a guerra? o moço indagava. — Quem dera não venha... pensava o senhor.

O ventre da espera engravida de angústias e a guerra não vem. Na véspera, à noite, ninguém mais dormia. Nem guapos descansam estando ameaçados de ser destruidos.

O dia chegou e a ordem também: — «Mais rápido em forma! Deixar o quartel! » Ninguém fraquejou. Silêncios bem grandes fornaram colunas, marcharam calados, de ouvidos atentos e de armas na mão. Os mais carrancudos, os mais quietarrões deixaram carícias de mudas palavras, de quietos olhares na hora cruel... São todos humanos! Trincheiras de peitos, trincheiras de sonhos; trincheiras de fardas fizeram vanguarda — matar ou morrer! As mãos calejadas bordaram carinhos nas armas antigas que Iriam falar. Os sonhos rodaram na cancha do tempo, ninguém sonhou mais. No rosto enrugado do pai de família a noite em vigília orvalhou-Se de suor. O sol infiltrou-se por trás das trinchelras e a guerra não veio, a morte não velo, adiou seu encontro pra vir logo mais.

Sentamos à mesa e tomamos café. Café — nata magra, o pão — seco e duro (onde anda o futuro?) sabor de amargura — que nojo de pão!

Os homens fardados de roupa amarela dos raios de sol, com armas na mão e as barbas de estampa dos livros de História, desceram sorrindo, à espera da senha que faz os heróis.

Relógio embalou-se no pêndulo triste marcando, marcando no livro da vida a vida que havia pro triste soldado viver... Talvez não. A infância na rua puxava revólver brincando de guerra... Talvez não sabendo que a morte e a guerra adoram o sangue do paie do irmão. A noiva na rua, de brinco na orelha, falava de guerra com lábios em flor. Talvez não soubesse que a guerra tem sede do sangue do noivo — seu sonho de amor. A mãe no oratório rezava baixinho, pedindo ao Senhor: — Velai por meu filho, deixai-o viver. Se fico sozinha não sei mais viver. Só mais uma hora! dizia o relógio de pêndulo triste que sempre diz não. O tempo lavrou no chão das angústias o rosto marcado do pai de família distante dos filhos, da esposa e do lar. O tempo abriu sol de valente coragem no rosto do noivo, soldado tão moço que sonha ainda ser vibrante oficial. O pai de famllia olhou-se por dentro indagando a si mesmo que tempo haveria de amor a seus filhos pra vê-los crescer. O moço Indagou à violência do tempo o que faltaria pra ele - tão moço - fazer-se um herói

O pai de família sabia que a morte é que faz a legenda do herói que lutou.

O moço queria mostrar-se o mais guapo, fazer-se um herói. O pai de família sabia que os guapos ou morrem na luta, ou sobram quebrados nos leitos de geada de quieto hospital...

O moço queria mostrar-Se um herói! o tempo girava rodando os ponteiros. Sonàmbulos pênduIos geravam silêncios na ronda do tempo.

Ressoa o tambor na angústia da espera, Tambor-coração . E a guerra onde anda? o moço indagava, — Será que não vem? Ponteiro seguindo dizia que sim. O pêndulo calmo afirmava que não. Quartel em compasso de espera e de angústia. A farda amarela com raios de sol aguarda o momento de ser uma fera banhada no sangue do pai de família e dos moços valentes que apenas anseiam ser guapos heróis. A senha chegou: “São dez da manhã!” Tropel de emoções, o tempo estacou. A noiva e a mãe, os filhos e a irmã aguardam ansiosos o fim da entrevista que fez do inimigo um aliado e amigo na mesma trincheira, no mesmo bivaque apojando um ideal.

A guerra ficou com pena da mãe que lá no oratório rezara ao Senhor. O pai de família, sorriso nos lábios. e os olhos mareados olhava os soldados pensando nos filhos aos quais poderia brindar mais amor. E o moço, com raiva: — Perdi minha chance de ser um herói!