Funeral de Tropas
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A tropa aponta na ponta da estrada Maleva que leva ao Juízo Final. Ergue-se à poeira, parda bandeira, Em cerimônia a um funeral.
O berro do boi, o grito do homem, O assovio do vento no fio do alambrado, São fundos que marcam a última viagem De vidas-passagens, destinos traçados.
E o grito de "Hêra" Ecoando no espaço Ao lerdo expressa Mais pressa no passo.
Toda esta tropa se ajunta com a junta De bois mansos: Pintado e Pitanga, Do ventre ajojados num mesmo fadário, De viver e morrer parceiros de canga.
Caminham em silêncio, têm mais experiência, Pela convivência com o homem-patrão. Querem mostrar aos que berram em protesto Que perdão é bom gesto se a morte é razão.
E o grito de "Hêra" Que ouviam na canga Ora é grito sentença Ao Pintado e ao Pitanga.
Outras tropas virão nesta estrada, Soldados sem armas à luta fatal. Tombarão como heróis trocando suas vidas Pela fome do homem em mais um funeral.