Alma em Verso
Poesia

Moça da Campanha

Dimas Costa

Publicado em

Eu sou moça da campanha, Uso vestido de chita. Dizem até que sou bonita Mas eu não sinto vaidade. Eu sei: na minha rudeza Talvez não possa igualar A beleza singular De uma moça da cidade!

Ando assim de pé no chão, Lidando no meu ranchinho. Quando levanto cedinho, Vou correndo pra mangueira! Ajudo a mãe no curral, E depois varro o terreiro... Passo assim o dia inteiro, Fazendo a lida caseira.

A tardinha corro à sanga, Lavo os pés e lavo o rosto, E ponho com muito gosto, No cabelo, linda flor... Depois eu vou pra porteira Onde espero, entusiasmada, A volta da gauchada, Para ver o seu amor.

Ele é peão de lá da estância, É pobre mas é bonito Quando retorana, ao tranquito, Num pingo lindo que tem; Eu sinto, dentro do peito, Corcoveando de emoção, O meu pobre coração, De tanto que eu quero bem!

Ele promete que um dia Vai levar-me pra um ranchinho Entre amor e carinho, Vamos viver, toda a vida. Mais como a gente padece, E como custa chegar O dia de realizar A promessa prometida!

E quando isso se der Eu vou chorar de contente. Mas prometo, minha gente, E juro de coração, Que se Deus me permitir, Criarei nesse ranchinho, Uma porção de piazito Pra cultuar a tradição!