Modernismo
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Faz tempo venho notando Que o mundo se transformou Muita saudade ficou Dos tempos de antigamente Hoje tudo é diferente Com progresso e evolução Só que ninguém mais se entende É muito grande a confusão.
Importaram do estrangeiro Uma prosa complicada Cultura modificada Diz que em nome do progresso E o importado faz sucesso Entre o pobre e o estancieiro Faltam só trocar de nome O churrasco e o meu arroz de carreteiro.
Os jovens não querem mais As modas de antigamente Até um baile é diferente Isto é coisa que acontece As danças ao que me parece Só restam vaga lembrança Porque é no tal Rap e no Rock Que a juventude balança.
Esse tal de som mecânico Nas festas do meu rincão Calaram a gaita e o violão Estes dois trastes sagrados E para os modernizados Sem alma e sem devoção Não sabem que são relíquias Da gaúcha Tradição.
Eu nasci aqui nas Missões Fui criado a campo fora E no tinido da espora Danço xote e vanerão Levanto poeira do chão Num fandango missioneiro Nunca vou trocar o que é nosso Por coisas do estrangeiro.
E o povo vem embalado Achando lindo a loucura Eu vejo com amargura As coisas se complicando O pessoal se envenenando Não dando valor pra vida Se nós não saltar na frente A carreira está perdida.
Eu não sou contra o progresso Mas tudo tem seu limite Por isso eu digo e acredite Estão poluindo a querência Vamos tomar uma providência Antes que a coisa desande Porque senão trocam as cores Da Bandeira do Rio Grande.