Na Inocencia dos Mates
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Quando te foste pro povo co’a mala cheia de planos, logo achei que os desenganos e rebencassos povoeiros, te atropelassem de volta pro nosso mundo de sonhos.
Sonhei minha vida a teu lado, pois via em teus olhos claros mares calmos pros meus medos. Lancei meus sentimentos nas águas dessa paixão! E deixei meu coração navegar com os teus ventos!
Te aconcheguei em meu ventre sob a inocência da lua, fui água pra tua semente, fuga pra tua loucura e me entreguei de alma nua para ser tua companhia.
Não entendia os motivos que te levavam daqui, mesmo assim te fui parceira, sovei tuas cordas pra lida e amadrinhei teus sonhos, que cavalgaram risonhos para os repechos da vida.
Inundada de saudades vigio as noites, procuro, entôo canções à lua, Componho versos pra ti.
Serão tão unidas as estrelas? Ou, quem sabe até nos ares elas torturem seus pares gastando dias sem vê-las?
Por certo elas são donas dessa paciência tão rara, amar à distância, na noite Clara.
Na inocência da espera cervo um mate pra dois, me achego perto a cancela e, sorvo o amargo co’a ausência.
Ancorei meus sentimentos para esperar os teus ventos que, sopraram pro’ utros nortes. Gastei minha mocidade teimando com planos vagos, pois os encargos são fardos e, pesam mais que a saudade.
Aprendi nas noites longas remediar meus sonhos sós, reinventando esperanças, sufocando minhas ânsias de ter alguém a meu lado.
Guardei-me inteira pra ti, busquei carinho em mim mesma e dividi co’as estrelas minha ternura contida.
Procurei num ombro amigo o calor do teu abraço, mas entreguei-me ao cansaço sem encontrá-lo em meus dias.
Quando abrires a cancela do corredor que te espera, talvez encontre tapera nosso recanto de amor, só assim sentiras a dor de quem varou noites frias, esperando por novos dias sorvendo sem companhia um mate que era pra dois.
Poema: Integrante do CD IV Bivaque da Poesia Gaúcha.