Namoro
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1ªparte
MACHO
Pra bem verdade, chininha, Nem lembro o tempo que faz... Foi depois daquela noite, De encarangar até a alma, Que com jeito e muita calma Te enrolei no bichará!
Andei curiosando a tulha... Te asseguro que faz tempo! Nós dois juntos já comemos Pra mais de arroba de sal!
Bueno... Bem sei que não sou potrilho; Mas sei que sou redomão! Escuite bem - minha chininha: Não há freio que me empaque Nem relho que me aligere!
Sou duro de cozinhar; Mais louco que o vento Norte!
Escuite bem, porque a sorte De te amoitares comigo, Depende muito de ti... Pois bem dantes já me vi Co’a presilha da “colhera”!
Como vês... Plantei morada... Cerquei brete - fiz lavoura, Falquejei cerno por cerno Do rancho grande ao galpão...
De quando em vez a ilusão, Me desandava em querência!
Porém - a minha intendência De taura bagual e rude, Me diz que o tal casamento É como uma taipa grande... Que retouçando a corrente, Deixa formado um açude!!
E, eu cresci como os arroios De águas limpas franjadas, Que embora façam paradas, Buscam desvios pelo chão!
Bem pensando - do teu jeito, Nada me veio ao contrário. No entanto quero que saibas Que mesmo sendo arbitrário, Ando sempre com a razão!!!
Quando eu bandear pra outros rumos, Não perguntes pra onde vou Nem quando devo voltar... Talvez me interta no povo Talvez algum “capim novo” Faça meu pingo empacar!!
Se um dia eu chegar chumbeado Chapéu quebrado na cara Trazendo o laço a cuscada E levando tudo por diante...
Reza um Credo - te recolhes, Faça um sinal co’água benta Pois depois de uma tormenta Sempre haverá um sol radiante!
És bonita... minha chininha... Mas nem mesmo tua beleza, Há de plainar a aspereza Do cerne bruto que sou!
Se quiseres - será assim Bem assim como eu quiser! Do contrário - “te bandeia”... Pois eu nunca usei maneia Nessas lidas de mulher!
Sei que te espantas, chininha... Co’a franqueza do meu jeito; Mas é que trago a rudeza Desd’a casca a galo feito.
Eu nunca dobrei penacho!
Mas, podes crer - minha chininha... Se ficares - podes crer: Serás feliz em viver Nas garras de um índio MACHO!!!
2ª parte
CHININHA
Que importa o tempo a quem ama? Ao amor só basta a chama Fluir momento a momento... Não me cabe o sofrimento De forçar um bem-querer Se vim não foi para ter Respaldo de um casamento!
Amo teu jeito de ser... Talhado em sinceridade Tenho você, sou feliz! Quem é feliz com o que tem, Não questiona liberdade!!
Sou como a rosa que cresce Em meio a farpas de espinhos...
E a rosa... É igual - tanto faz Num jardim ou manancial!
Floresce, perfuma e encanta Até o mais irracional!! Quando vim - estás lembrado? Um vento frio desolado, Chorumingava de encontro À porta meio caída;
Deu-me a impressão - que a morada, Da qual talhaste de entono, Quedava-se ao abandono Como as taperas sem vida!!
Aos poucos fui dando jeito... Ao guanxumal dei combate, Pois já mermava o terreiro; Fechei horta fiz canteiro, Plantei sombra e arvoredo;
(Não ouves de manhã cedo O grito da passarada?)
No mais... Penso que uma china Sendo bonita e sensual, Deixa um índio mais bagual Que o bagual mais aporreado!
Por isso - quando te fores Campear por outros caminhos... Disso nada indagarei;
Guardes contigo a lembrança No largo de tuas andanças, Que sempre aqui estarei...
Com o mesmo sorriso aberto Com o mesmo jeito e paciência De quem ama até morrer!!
Porque um dia - quero crer, Guardarás - desiludido, Tuas garras de domador;
E então...terás decidido Na completa liberdade Que só há felicidade Nos braços do teu amor!!!