Nas Entrelinhas Deste Poema
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Hoje eu acordei triste, pois lembrei do nosso passado... E vasculhando minhas recordações, algumas que já nem lembrava mais, encontrei fragmentos de memórias que vivi a teu lado.
Então, me senti inspirada, e sem demora escrevi esses versos, relembrando nossa história…
A quanto tempo a gente não proseia, relembrando os bons momentos que passamos? Também não lembramos dos momentos ruins... porque esses, embora sejam tristes, são importantes, mesmo assim…
Hoje ainda vivemos no mesmo fundo de campo, no ranchito, quase tapera... Os mesmos móveis velhitos, toscos, estropiados... Sempre com uma esperança enorme que tenhamos muita saúde, de que um dia tudo melhore.
O tempo vai nos mudando, os poucos quase não nos falamos mais…
São coisas da vida, do dia-a-dia tão corrido, dos compromissos da lida…
Sempre foi muito difícil nossa vida, relembro momentos que vivi: as amarguras, a fome, mazelas, incertezas, e minhas queridas bonecas…
Não quero que fiques triste, por não estarmos tão próximos... não se sinta mal por isso... O problema é que ainda sou muito nova. Enfim, procuro soluções que não existem, porque as respostas, talvez, estejam apenas dentro de mim…
Me lembro bem: eu cantava.... ...passava o tempo todo cantando! Tu sempre me elogiavas, e dizia comemorando, que era esse meu dom.
Mas eu era tão tímida... (e ainda sou...) e ficava muito envergonhada... ... que pena. Não consegui seguir nessa empreitada.
Lembro das brincadeiras de guria e de quando ia te acompanhando nos rodeios e na lida, nas compras na vendinha ou quando tu ias solito, ficava sempre ansiosa, te esperando. querendo bala ou pirulito.
Quando te via dizer um verso, eu também decorava e junto contigo, me via declamando.
Estávamos sempre juntos.... E ainda estamos, porque o amor que nos une é mais forte.
O tempo vai passando... ... hoje somos diferentes, mudam os nortes, as pessoas também mudam: crescem, amadurecem e envelhecem.... ... tudo muda realmente. E, aquela menininha que te acompanhava, sempre no teu costado, já não existe mais... ... ficou no passado...
E tu, meu pai, esquece, às vezes, que cresci, que já sou menina-moça, e que já não estou o tempo todo a teu lado.
... Não chora, eu te peço...
...Pois o que eu não te disse, é que aquela guria franzina, trigueira, sapeca e faceira, ... está aqui, inteira, bem escondida nas entrelinhas deste poema!