Alma em Verso
Poesia

Negro do Pastoreio

Glaucus Saraiva

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Em Ponche verde te espera nesta cívica tapera o Canabarro imortal... Segue, no teu mesmo trajeto, e encontrarás Souza Netto de prontidão em Seival.

Vem Negrinho! Aqui te aguardo com os heróis de Rio Pardo, e da imortal Piratini - a República estupenda que hoje repousa na lenda deste rincão guarani.

E no final deste rodeio de proporção gigantesca, a plêiade quixotesca dos heróis quase esquecidos, há de gritar aos ouvidos deste povo indiferente que embaixo da cinza quente da passiva mansidão, vive em cada coração deste Rio Grande caudilho, o braseiro de espinilho do cerne da tradição.

E chasqueará novamente, além da nossa fronteira, a imagem desta bandeira que aos mastros foi renegada. Mas que em épocas passadas, em defesa do Rio Grande, subiu mais alto que os Andes na ponta da lança nua.

E esses netos de charruas, que andam de fronte erguida, hão de mostrar para vida que o Rio Grande não morreu. Que, quando Deus escolheu para guerra Farroupilha o cenário da coxilha, já tinha premeditado que deste povo era o fado lutar pela liberdade, pela vida em igualdade, pelo bem e contra o mal.

E no lombo de um bagual, esfarrapado e sem luxo, perpetuou o gaúcho como farrapo imortal.

Agora vai meu Negrinho... dá um alce pra tordilha. Deus te guarde... Deus te salve! Se em meio a tua trilha te perguntarem meu nome, sou p primeiro farroupilha, meu nome é Bento Gonçalves!

Negrinho do pastoreio! Aqui em nome de Deus e dos tauras do Rio Grande, venho pedir-te rodeio.

Ressurjo da sepultura a destilar a amargura que não é do chimarrão... É o amargo da descrença na cuia da indiferença com a erva da ingratidão.

Com tapejara cautela, dos pingos de tua vela eu rastreio, despacito, gotas de luz misturadas com lágrimas derramadas em teu calvário, negrito!

Invoco a tu'alma - oh, mártir da prepotência! porque de novo a querência mais uma vez se avassala... E com redobrado afinco reprisemos TRINTA E CINCO num desfio à sezala!

Monta teu baio de empelo; hoje serás o sinuelo desta larga camperada, reportaremos ao vento os ecos de um juramento pelo amor a este rincão. "Arrancar a tradição da cova do esquecomento".

Leva tu'alma andarilha no rastro que vou te dar... Rumbeia teu galopear a velha ponte da Azenha e ao chegar grites a senha: "Salve vinte de Setembro"! E verás que a teu costado, quais tauras ressuscitados pelos toques de um clarim, surgiram guapos caudilhos e à testa, dois coronilhos, Onofre e Gomes Jardim.

Campeia no litoral, por sobre a grimpa das ondas, a liberdade das rondas, que no atlântico portal jamais ecoaram debalde, e hás de sentir ilusões de que ainda vês os lanchões de Giuseppe Garibaldi!