No Tempo Dos Meus Avos
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Um tirador cabeludo bombacha, remento e pano. Botas de garrão de potros Ou...Tamancos castelhanos. Um pingo bem enfrenado -Na minguante não faz dano! no queixo d’um “criolito” de pourear qualquer paisano.
Espora roseta miúda pata aberta, bem pachola. Um bigode retorcido Fala, rude sem escola, Chapéu queimado de “lidas”, Lombilho de junco e sola Lemço branco ou maragato a soga arriba da cola. Sebo novo reluzindo nas garras de couro cru E um jeitão meio entonado numa estampa de xirú.
Uma adaga marca “esse” pra defesa na cintura mango trançado de oito relíquia de formatura da cartilha de índio macho guaxo sem mãe desaforo com naco de rapadura e enxerto em teto de couro.
Nas veias sangue charrua cruza oriental...,pêlo duro “gringo baio queixo roxo” e o braço forte do negro plantaram o nosso futuro.
Agarrava touro a unha gineteava até por graça -Valeu o trago parceiro! ...uma guampa de cachaça
Saltava de pé no chão madrugada campo fora quebrando geadas medonhas...
daquelas de renguear cusco, mangueando boi redomão. que amansava a qualquer custo. Gastava pontas de arado sem ressojo nem cansaço apojo com milho verde pra refrescar no mormaço.
...Acordava o sol batendo nos cercados , ponta a ponta; dia inteiro ou de três-quartos pros queimado além da conta, soltavam a boca da noite quando a enxada fica torta.
Tranqueavam feijão na eira... das cacimbas , água em pipas, pilão baio de canjica, porco gordo no chiqueiro... torresmo, erva e açúcar já deixavam a tuia rica -Mate doce é das comadres! homem que toma é marica...
Gastava os dentes da idade á cinza e milho catete, com jujos e benzeduras corriam as doenças a porrete Mascando fumo de rolo castravam touro a macete.
Tropeavam léguas de outonos... cruzando enchentes patronas; “Santa Rosa e São Miguel” picando charque em caronas, bravas mulheres gaúchas pariam a espera nos ranchos com fartura no paiol. Ferviam as “pretas” nos ganchos.
Quaravam nas sangas, os trapos das manadas de guris repontando gafanhotos... manguevam alguma perdiz pros mundéus de seus retôços, rondavam tropas de osso brincando de ser feliz.
...Batata assada em borralho, lixiguanas e pitangas, cassadas, banho de sanga, farras...Pencas de petiço. milho assado na fogueira e em noites de sexta-feira lobisomem e reboliço.
Carreteadas de semana... domingueiras de selim; pras moças com seus vestidos mangericão do jardim, e á cada mês o “caixeiro” com novidades e cetim.
Caçadas...e pescarias, carreiras por rapadura galinhadas e algum guaxo, bailesitos...”chás dançantes” “surpresas com a oito baixos” Escondam queijo e ligüiças... morram galinhas nos tachos! Meia noite tem”sequilhos” Rapaz lá...Moças pra cá... cerimônias pão de ló e um licor só pra esquentar! na polca de relação começavam a “namora” E as velhas a vender quitandas pra mo de “filha apronta”
Dava festa de semana quitutes; forno de barro, vinha toda a visinhança iam se multiplicando casamentos de confiança
Estas gerações pioneira sem medir um sacrifício... desbravavam essas fronteiras prós netos que vinham após,
minh’alma chora impaciente ao ver hoje tanta gente relegar nossos avós; devemos tudo pra eles que ao redemoniarem o pampa ...principiaram eles pra nós.