Noites de Ausência
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Noites de inverno, quando a geada fria, E alvo véu a recobrir a pampa, Enquanto, ao gancho, uma chaleira chia, Golpeio as mágoas, no cantil de guampa.
O cusco dorme, calmo, enrodilhado, Por sobre as cinzas do barrote quente E o baio ruano, na cocheira, ao lado, Parece o dono, com carinho ausente.
E ao ver o baio, a escarcear inquieto, Tal como eu mesmo, carente de afeto, Então me ponho a rebuscar motivo.
Porque razão eu me criei gaudério Por sorte ou sina, que estranho mistério, O andar sem rumos, que até hoje eu vivo.