Nos Limites do meu Verso
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Junto ao alpendre do rancho diviso as cores do mundo.
Procuro firmar os olhos numa poeira que se perde entre a figueira e o céu. Como aba de um chapéu espalmo a mão sobre os olhos e vejo assim, mais distante, alargando o horizonte deste meu mundo maior.
Distingo ao longe o revôo das asas de um quero-quero. Volteando a curva do cerro, a sanga das pitangueiras vai serpenteando no chão. As léguas da sesmaria levam junto a nostalgia que me aperta o coração.
Por que será que a saudade de quem partiu ontem cedo faz o que fez no meu peito?
Porque será que a partida produz este gosto amargo de alguém que trocou de pouso?
Mas enfim esse é o caminho, pra quem busca liberdade. Que é um direito de ventre, dos ventres, filhos do sul.
Dedilham no alambrado os dedos do minuano, como faz todos os anos nas tardes de primavera. Entre matizes das flores timbram as asas ligeiras, das cigarras cantadeiras lá do “Rincão da Tapera”.
A tarde sangra no poente... O Vento deita em açoites... E a sorrir, o fim do dia beijando a boca da noite.
Quando a boieira desperta despertam sonos tranqüilos, ampliando o canto dos grilos que a noite grande pariu.
Um Urutau sorrateiro num canto triste e, bonito segue na noite solito de contraponto com o rio.
Bem longe na madrugada, vestindo plumas de aurora, um galito acerta o tempo na sinfonia de um canto. Tenta orientar uma estrela que se apartou do luzeiro, para banhar-se nas águas de uma lagoa de campo.
Quando eu me sinto pequeno diante do quadro do mundo, que nos faz ver bem no fundo o sonho que se perdeu. Que é tão sentida a saudade, e infinitos, os desejos, ante a aquarela de um beijo pintada com a mão de Deus.
Tento a harmonia de um verso ao som de um gole do mate tamborilando no basto sobre um banco no paiol. Solfejo umas notas soltas garimpando a melodia, e ao raiar do novo dia nasce uma clave de sol.
No manejo da cambona eu risco a primeira barra, como um solo de guitarra da noite que vai voltar. Mesmo sendo eu quem demarca os limites do meu verso, estes sonhos dispersos aprenderam a voar.
E o novo dia campeiro que chega dando um “oh-de-casa”, ao som do ruflar de asas de algum pássaro cantor, mostra todo resplendor da canção xucra do pago, que traduz o Mate Amargo num simples gesto de amor.