O Solitário do Cerro
Publicado em
Aquele rancho Sobre o cerro Tinha dono; Era do velho Tocador De violão
Hora certa Passos lentos Ele chegava, Falando ao curso Magricela E confidente... Eram irmãos, Irmãos de alma E solidão.
À tardinha Quando o sol Se torna triste Ao apear No horizonte Antes da noite, Ele chegava Para o rancho Passos lentos, Com os olhos Submersos Em silêncio.
Fogo feito Mate pronto Cusco perto,
E as estórias Que jamais Ninguém ouviu.
Quem de longe Os avistasse Pensaria, Que eram estórias De fantasmas E taperas...
Pois no olhar Daquele cusco Magricela, Na forma De um quadro Na parede, Havia o grito De mistérios Escondidos, Dos que não têm Alguém sequer Para escutar...
Meses a fio A mesma cena Repetida, Num ritual Quase místico Na tarde, Quando Ao rancho Ele chegava Passos lentos, Com os olhos Submersos Em silêncio.
Depois Candeeiro aceso Viola e canto, Em memória Dos amores Perecidos...
Rodeios De emoções Que não Se apartam, Quando se traz Dentro da alma A dor da ausência, Dos que Se foram Para Nunca mais Voltar. ---------------------- Por certo Algum dia Alguém dirá, Vendo o rancho Sobre o cerro Sem ninguém:
Ali morava Um velhinho Solitário... Era um triste, Tocador De violão.