Memorias do tempo
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Brasil, Brasil grande do Sul Fogão de Pátria e de nativismo, Junto á pia do batismo Da crioula tradição.
O ronco do chimarrão Na prece tradicional Lembro do tempo Imperial, Aquele tempo passado, De tanto o filho enjeitado, Do Rio Grande imortal.
Hoje tudo se perece, Aqueles tempos de guerra, Sobre o lombo desta terra, Que a gauchada permanece.
Mas hoje a fibra esmaece Numa paisagem medonha... Da impressão que a gente sonha, Lembrando aqueles andantes, Centauros impressionantes Que cultivam a vergonha.
Ouço rufares de patas no solo da pampa grande Barulhos de freios, tinido de esporas, Relinchos, gritos de guerra, Ordem de avançar a carga... Onde a lembrança tropeia.
Tempo de pátria e peleia, Tempo de lutas e clarim A lança, o pingo, o capim, E a gauchada peleando; E a gente fica penando: Porque hoje não é assim?
Será que a gente enfraqueceu? A fibra continentina, Aquela estirpe brasina, Em que o mundo se meteu? Será que o guasca morreu? Por trás de alguma fascina
Será maldição de china, Olho grande, mal olhado? E eu fico parado pensando... O Rio Grande é imortal! Gaúcho não se termina.
Então, então a brasa estala. E a velha cambona chia Como se a alma da cria, E eu gastasse a última bala. E o pensamento se cala... Nos lampejos dos tições.
(Chega) Já chega de indagações. Pois o passado é presente. E o Rio Grande permanece, Nos mistérios dos fogões.
Não podia ter morrido, Quem nasceu pra ser eterno. O Rio Grande é como um cerno Não pode ser destruído.
Maneado, pode ter sido. Pode ter sido enganado, Pode ter sido enfeitiçado Por este progresso bruxo.
Mas duvido que o gaúcho Fique pra ser atacado, Ah, a de ser do torpor, Da falta de competências;
A indiada dessa querência do pavilhão tricolor com fé, com fibra e amor há de voltar o que era: ramcho que virou tapera, por circunstâncias da vida, apenas uma carpida floresce na primavera.