onde se abrigam os sonhos
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No exílio das varandas, Onde mateio horizontes, A alma se entrega aos sonhos Que se vão em revoadas, Levando em asas serenas - na amplitude das retinas - Uma visão cristalina Impregnada de poentes, Que traz de volta pra gente Silêncio em preces de paz.
Os sonhos são peregrinos - andorinhas veraneiras - Que vão e voltam, viageiras, Deixando pra traz seus ninhos, Pra campear novos caminhos E a paz das amenidades, Num lugar onde a saudade Seja feita de ternura.
Quem ama uma criatura E dela se faz distante, Sabe que amar é o bastante Pra saudade ser doçura. Um sonho pela metade É uma noite sem estrelas, Quando a tristeza se agranda Na alma da escuridão E se veste de razão Pra questionar o destino.
Nas garras dos desatinos Se apequena o coração. Quem sonha golpeia o tempo E a cisma de envelhecer. Faz de cada entardecer Prelúdio pra um novo dia, No lirismo da poesia Das ternas manhãs serenas, Para tornar mais amenas Estas auroras da vida.
Quem traz na rédea um destino E na alma um desafio, É igual às águas de um rio, Que jamais muda seu rumo. Quem luta por seus aprumos, Entre um sonho e uma estrada, Traz na visão encravada O que sonhou pra consumo.
Nas alamedas da alma Cantam sabiás seresteiros, Cantadores madrugueiros Que anunciam primaveras. Mas calam quando as taperas Da aridez dos outonos Trazem silêncios de abandonos Na solidão das esperas.
5ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa