Para Não Dizer Adeus e Nem Voltar
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- I –
No andejar das coplas ao vento Quando o verbo projeta as coisas da vida, No espaço livre para os sentimentos O “Eu interior” ressuscita dores escondidas.
Nunca encerramos algo principiado Porém, restabelecemos um novo fim, É momento de recomeçar algo acabado Mas com força e de outra forma... Enfim!
Pra não dizer adeus e nem voltar... Sigo teimando em manter as demoras. Com o medo de sair, andejar - Sem Rumo - e pela - Estrada Nova – Não degustar o aroma das estradas, Percorrer lonjuras, cansar ventanias Para talvez encontrar uma - Porteira Fechada - Como a de “Cyro Martins”** na trilogia.
- II – Do que me faz parte habitando a tessitura*, O elemento singular revelado na partida: O ornamento*dos sonhos na partitura*, A melodia do - meu tempo - assim protegida.
O olhar mudo, a voz cega, decifram o essencial No ponto de aumento* que silencia a dor, Quando a música do dia revela o universal Na luz de uma clave* de sol do criador.
Pra não voltar e nem dizer adeus... No pulso que pulsa firme a moderna pena Demarcando o inventário deixado aos meus, No muito do bem pouco de um poema.
Parafraseiam minhas angústias e saliências... Estas escritas na coxilha de ferro e cimento, Quando as rudes linhas nas curtas reticências... Carregam tudo o que trago por dentro.
- III –
Pra não voltar... E nem dizer adeus, Vem do jardim perfumes a florescer. Um singelo e longo aceno de adeus... Com matizes timbrando o entardecer; Receberei então o dízimo da querência Para curar o tempo das dores e esperas; No “Sacrifício” constante a essência Revelando “liras de ventos” e quimeras.
E num gesto largo sair mundo afora, Cativa de poesias e sentimentos Abençoadas serão as horas, Libertando as ânsias e tormentos.
Vou percorrendo a coxilha empedrada Com a melodiosa canção infinda... Desvendarei indelével e sem amarras, A razão mística do - Paralelo Trinta -!
-IV- Pra não dizer adeus... E nem voltar, O arrebol compondo uma linha dourada. Tenho além dos pés cansados de andar... Os sensíveis rastros da estrada.
Pela distância não avistarei o caminho, E sim, o porquê da luz a brilhar! Por certo entenderei quem anda sozinho, A cada pegada, para um novo rumo trilhar.
Na existência, a alma gêmea se revela Profetizando nosso destino em orações! Os desejos a timbrar na íntima aquarela O espelho das retinas em cintilações!
A alma aos céus enaltecida estará Timbrando no pergaminho a luz exibida, E como um livro aberto o poeta desvendará - o segredo das quatro letras - chamado... VIDA!
Glossário:
** Cyro Martins - Cyro dos Santos Martins (Quaraí, 1908 — Porto Alegre, 1995) foi um grande escritor (autor da trilogia do gaúcho a pé) e psicanalista brasileiro. Tessitura - disposição das notas para se acomodarem a uma determinada voz ou a um dado instrumento;
Ponto de aumento - Um ponto colocado à direita de uma figura (notas musical) servindo para aumentar a metade do valor da mesma.
Partitura – material gráfico, contendo notações impressas ou manuscritas, que mostra a totalidade das partes de uma composição musical.
Ornamento (em Música) - Notas ou grupos de notas acrescentadas a uma melodia. Sua finalidade é adornar as notas reais; Desenhos musicais que embelezam uma melodia ou acorde.
Clave – Clave é um símbolo colocado no início de uma pauta e serve para determinar o nome das notas e sua altura na escala.
Cifra - número ou letra que representa um acorde.