Alma em Verso
Poesia

Pássaro Rio Grande

Apparício Silva Rillo

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Era limpo de cinzas seu traço no céu e a estrela boiera alumbrava seu vôo. Um potro de plumas e asas aos ventos que o tempo em seus tentos já quase maneou.

A crista guerreira de adagas e lanças, as asas de léguas e berros de boi, se achicam ao corte do asfalto ligeiro por onde o campeiro estradeiro se foi.

As penas tisnadas do óleo nas águas, na carne o veneno que o grão lhe passou. As fontes secaram nos verdes tombados, sujou-se de fumos o azul de seu vôo.

O pássaro Rio Grande ainda voa, ainda o vê quem tem raízes no olhar, sempre mais longe, tão mais alto que a boeira pode queimá-lo em sua luz e ele tombar.