Ao Pajador Missioneiro
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O silêncio prenuncia um vazio no universo estende o dono do verso como quem vela a poesia. Revelam-se noite fria, poetas em penitência e a paja a pedir paciência para o gélido pampeiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
Mostra o vermelho do chão no lenço que não acena. Pinta uma imagem pequena de quem foi imensidão. Para quem vê coração ressalta plena consciência que o conteúdo é essência, não a casca do campeiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
A cara da lua cheia, pálida, desenxabida, parece sugar a vida à fraca luz que prateia. O cosmo, em sua ceia, indecifrável à ciência, supre a sua carência co’a energia do copleiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
Há uma nuvem de luz e nela uma face vara com energia mais clara que só a Ele faz jus. Desprega-se de sua cruz em natural evidência. Planta na semiconsciência à seara do troveiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
O céu carente de aceno, sem rima, recolhe temas e deixa vagar poemas machucados de sereno. A terra levou um bueno pra sempre e sem clemência. O pranto, por insistência, ferve a alma no braseiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
Ficam o som, a imagem, e a letra aprisionada. Vai o tudo que é nada e o nada é todo mensagem; é chuva, pó, estiagem, sombra, luz, pampa, querência guitarra, irreverência e último verso primeiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.
A vida que é um jogo não conta o tempo na tarca. Só marca que possui marca. A quem não tem não há rogo Só timbra com ferro e fogo na anca da existência, quem viveu com excelência, e a este, saco o sombreiro. Ao Pajador Missioneiro não cabe eterna ausência.