Coisas D Alma
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Meus olhos se perdem lentos Mirando essa estrada longa Que guarda mistérios e sonhos Na poeira do próprio tempo!
Parece até que foi ontem, Quando encilhei o pingo Tapeei o chapéu na nuca E, ao tranqüilo me fui Buscar infinitos novos.
Na minha mala de garupa Foram comigo os desejos De encontrar não sei o que... Minha juventude ao vento Com esperanças de olhar!
Como foi longo o caminho Que eu tive que cruzar! Encontrei pelas beiradas A experiência dos mais velhos E conheci o respeito. Somente quando colhi O primeiro botão em flor Aprendi a importância de semear Cada vez mais o amor.
Os espinhos machucaram E a tristeza fez morada Em algumas pausas do mate.
As distâncias apertam o peito E solita a estrela D’Alva Entendia o meu cantar... Foi o poncho dos invernos À aquecer meu coração!
Além do cavalo, E do cusco companheiro, A guitarra se irmanava Nas horas de solidão Num compasso de milongas Brotadas em algum galpão.
É de tristezas e alegrias Que se resume os dias De um cavaleiro da paz!
Andei, andei bem mais que meus sonhos Perdendo algumas vezes Até o próprio brilho do olhar... Aprendendo de imediato Que errar faz parte da lida E sempre tem hora na vida Pra gente recomeçar.
A saudade me judiou Machucando sentimentos São os mangaços que o tempo Esporeando dá num cristão, Para ensinar que os caminhos São esperanças e ilusão...
Quantos os recuerdos buenos Que conservo das andanças, De quando abrindo distâncias a Estância deixei pra trás... Observando a natureza Descobri nas coisas simples A essência da beleza! Descobri no teu sorriso Corcovos do coração!!!
E é por isso, Que hoje mateando eu paro E volto ao fundo do tempo Buscando ecos no passado Que o presente não perdeu.
Continuo eu, Admirando os caminhos Distribuindo mil carinhos Nos acordes da emoção...
Conservo ainda As tradições dos meus pais E os sonhos de liberdade Eu não perderei jamais.
O tempo passou depressa E o guri, hoje cresceu As ânsias permaneceram E o gaúcho não morreu. Ainda é o mesmo centauro Lutando por seus ideais Estes sim hoje são outros Porém, alguns são iguais.
Meus olhos se perdem lentos Mirando essa estrada longa, Quem busca as coisas d’alma Morre de amor pela vida!!!