Petiço Velho
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Este petiço, veterano aqui da estância, foi o meu pingo de infância, meu orgulho de guri. Crescemos juntos, nos criamos lado a lado, mas ele contou dobrado os anos que eu já vivi.
Caramba! esta velho o meu petiço. Tem nas pupilas cansadas que olham para o vazio, tristezas de águas paradas de um cotovelo de rio.
Petiço velho! foi de cima de teu lombo que há muitos anos atrás, caí meu primeiro tombo no meio dos gravatás.
E enquanto cheio de espinho me levantava do chão, no teu olhar surpreendido havia um manso pedido de desculpa e de perdão.
Quanta carreira embrulhada na cancha reta da estrada tu me fizeste ganhar! Quanta tropa de mentira repontei estrada afora te cutucando com a espora nervosa do calcanhar...
Petiço velho! tua última carreira pouco a pouco se aproxima, e o piá não vai em cima pra levar-te ao vencedor.
Não corras muito porque a carreira é perdida... Na califórnia da Vida onde o destino maneja cancha de osso é carpeta, um peticinho maceta quando se topa com a morte não clava nenhuma sorte por mais taura que seja!