Alma em Verso
Poesia

Poema Transcendental – Danilo Kunh

Danilo Kuhn

II Florada de Versos (Virtual) - Blumenau - SCPublicado em

A luz do palco aberto é um convite à poesia... O poeta acende o verso no portal da fantasia.

O encanto da palavra vaga nas asas do vento, gela e queima em sua lavra, nas linhas do sentimento.

Qual dor escorre da pena sobre a página vazia na tradução do poema pelo corte da sangria?

Que mistério esconde a chave da chama das inquietudes? Quem transcreve o amor em claves com sua voz de alaúde?

Quando a alma do poeta sai do leito, inunda as margens, o poema se completa ante à verve da estiagem.

Quando os versos ganham asas e pousam nas entrelinhas, na pena que a tinta vaza a poesia se aninha.

Um violão chora triste entre primas e bordões quando a saudade insiste em pontear as emoções

e uma voz embargada soa amarga na garganta – cada lágrima salgada é punhal que não se arranca –.

A luz do palco aberto é um convite à poesia... O poeta acende o verso no portal da fantasia.

O espelho do poema reflete a luz do universo – na trajetória da pena nasce o sentido do verso –.

Que palavra abre as portas do céu da inspiração quando a pena não comporta o que traz o coração?

Que acorde acolhe o verso na pauta de um compasso? Quanto cabe no avesso da palavra, em seu abraço?

Quando a alma palpita, nasce o verso, improvisado. O universo nos habita em cada verso rimado.

O poeta mata a sede ao beber água da fonte pra ir além da parede que lhe cega o horizonte.

O sonho ganha o infinito pela janela do palco entre o silêncio e o grito do verso em autorretrato.

Um poema, envolto em brumas, voa da folha silente pra ser mar, pedra e espuma muito além do continente.