Ponto de Almoço de Sao Miguel
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Corvos esperavam no céu Uma sombra de nuvens Resvalava sobre uns rumos empastiçados
Caminhos das vacas E o sol rengueava dos barrancos. O vento era molenga Que em certos lugares não ia.
Lugar bem-vindo. Lá na estrada por onde chegamos de ônibus Havia uma farinha da terra E pelas beiras dela A ervagem poeirenta Onde as galinhas se apinhavam.
Mais um alto Avestruzes fingiam descuido Pastando.
Alguns cavalos avermelhados de missões E vacas leiteiras. De modo que a paisagem e os bichos Parece que estavam ali para sempre.
Apeou um morador Riscando esporas e falou do tempo. Veio um peão pedir carona. Cruzou uma menina de férias Dois mocitos ao trote -um assbiando e outro sorrindo-
andorinhas andavam de vôos numa antena de rádio e nós com fome.
O dono da esquina Disse que a bóia era pra já! Uma senhora pediu pra lavar o guri. Um homem tenteava o peso das cuias. outro cheirava rodilhas de fumo mocinhas emprestavam o pente e uma idosa, no prelo dos chelos. Uma mulher de canto guampeava.
De largo Todos no costeio de todos Cada um era um órgão aderido Naquele corpo com cheiros amarelados Sobre os quatro pneus.
As crianças com pregos enferrujados Veio bufando a vaca-atolada Com pratos de biscoitos Mogango açucarado E bule de leite pra todos.
Eu pedi uma sardinha. Até que chegou lá fora Num branco-melado Um tal de Albino ou Aquino E se oitavou nos arreios Junto a uns gaúchos no cinamomo.
Lerdamente Como mango na paleta do lerdo-melado Forcejando o estribo esquerdo Falou mal da sua jersi Que comia roupas.
Remendou uma conversa velha E riu um pouco Depois misturou outros assuntos na roupas Com os gaúchos no cinsmomo.
Cuspiu e deu tiau Espichando uns gritinhos Chamando sua jersi de Fafá De logo se enveredou de volta Volteando a toda E a vaca na frente Um borracho procurou os pés.
Um guri de picolé Pulou numas voltas de arame Onde uma árvore nascia.
As avestruzes gambetearam Os cavalos sacudiram a crina As vacas leiteiras pararam o rumino E a paisagem se levantou Como se alguém tocasse um limpa banco. De me ataca essa vaca! Aca... ôôôh Aça...ôôô...!Aça Aaacaaaa!
E lá se foram reconciliados Homem, baio-branco e vaca Entreabertos de lonjuras E solidões.
Quando um assunto me lembra Fico até lá hoje Naquele PONDO DE ALMOÇO de São Miguel.
Me levo um ajeito de encruzilhada No costume que tenho que recontar Estas estorinhas Mais ou menos.