POSTEIRO DOS HORIZONTES
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Nos sinuêlos risos das luzes do outubro, Quero ser ponteiro a tosar clinudos Com flecos de aurora... Aparar cascos pelas sombras tenras Sob o sol tranqueando pro meio do céu Abrindo as porteiras pro verão tordilho...
Formar a manada de mão com o buçal Num “para-te quieto! que amanhã te encilho”; Boleando as coscas do inverno bravio Rasquetear beiçudos pelechando o frio...
Manguear pra lida E cedito apertar as garras... Tenteando na cincha quando o lombo incha... Pulam ovelheiros, amigos fiéis Que pelo salário da bóia nas horas cruéis Valem por campeiros, volteando faceiros os refugadores Sem pealar um tombo...
A terneirada nova berra e se retrai... No mistério dos passos costeiam as sangas... Não amadrinho o vento pra assolear a toa... E hay que estar atento com as vacas de cria, Passar em revista no clarear do dia...
Estas pançudas requerem jeito e cuidado; Na mangueira a calma sujeita o aparte... Evito o alarde, As trompadas na barriga; Coreiam prejuízos com as mal-paridas... Vou curar umbigos com untos sagrados, Virar algum rastro da pata canhota Pra sarar feridas de bruto criado...
Sempre se acha peçunhas pra cinchar E as vezes quantas! Que entalam birrentas com ventas nas ancas; E já é florão de truco se não há uma morte Na guerra dos fortes...
Novilhas enjeitam e vale a paciência... Sempre tem alguma parideira pra esgotar E um mamãozito pra enxertar... Um verão bem farto salva, engorda e cria... É vida abundante nesta geografia.
Se avizinha o final da produção E nascendo vão os culatreiros Pros “cucharreiros” na vindoura marcação... Quero ser o primeiro a lavar a xerga Num banho a tardinha na curva d’areia... Não piso o meu flete encilhado a capricho, Pois num ressojo afloxo os arreios... Mas há queixudos tão maleva Que o mais pavena dos bichos!...
As cordas do inverno precisam de um trato; E por certo já foi maceteado O cebo da ultima carneada Que debruçou a baia No sangrador da primavera, Tingindo de luto o pasto da frente Fazendo as tambeiras chorar feito gente...
Reviso meus tentos, as presilhas, Os loros pros repentes... Viro os láticos de ponta só pra emparelhar; Espicho o meu laço e de relho cambeio...
Estaqueio o primeiro meia-cera pros arreios Que bem sovado boto sobre os basto Do qual não afasto inté amaciar... No cabeça inteira de crina picada que juntei com zelo, Se contar direito tem de todo pelo...
E se gasta o tempo em braças de horas, De campo,mangueira,costeio e galpão... De sova e de trato com jeito ou tirão; Campereando a vida na grande invernada, Serviço e estrada ajeitam o baldoso Maneia e cachimbo governa o teimoso...
Assim é a existência, difícil tropeada, Cheia de embaraços, mas há sempre um lado Pra se tirar um desengano Pra se chegar num pingo manso ou num bagual Num gado xucro, boi de canga ou num Hermano.
Se busca sempre a volta certa Apertando ou dando folga pra não acalambrar; As senhas do tempo hay que decorar Pra reger um pedaço de vida de campo Com a bota no estrivo e os olhos atentos Conhecendo a hora de se emponchar...