PRA O VERSO QUE DIGO
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me pilchei a capricho, me desfiz de anseios e enfrenei o colorado do meu sangue pra recorrer os corredores deste peito de invernar rimas, e mostrar que as lides de dizer versos formam a essência de mim.
Sim!... Sonhei muitos sonhos - de tantos – vivendo paixões, admirando muitas prendas lindas, em seus belos vestidos. Passei “cuentos” de antigos, os causos das rodas de mate, encarnei em mim cada imagem que o verso me vestiu.
É claro!... Trancei adagas com castelhanos e - também - me “hermanei” com eles. Fiz parte em escaramuças de bailantas, bandiei tropas, fui ginete, matei e morri... mil vezes! Fui herói farrapo, fui lanceiro negro, vivi tipos que me orgulham, para – hoje – ser personagem... ... de mim mesmo.
Por isso... que quando digo este verso, digo de coração, empresto a voz para um brado guerreiro, para um chasque de paz, para um retrato da arte campechana que estampa nossa imagem em cada plaga do pampa.
Sinto a emoção de ver - “quando um doze braças, com asas ligeiras se vai para o abraço nas mãos de um novilho”- e sentir o estrondo do pealo, certo de que minhas mãos deram vôo ao laço, e... ... sustentaram o tirão.
Quem diz um poema, vive todas suas emoções: é santo ao encarnar o Cristo, é puro ao recordar da infância, inocente que é injustiçado, é o campeiro triste que coureia a rês, ao retratar a seca que aflige o campo e atormenta o vivente.
O verso – companheiro – é um ente querido, é a parte mais viva de nós; o campo que se emoldura, o canto que se apruma ... a alma de quem recita! Por isso que me fiz mais gaúcho ...pra o verso que... digo.
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Do poema: Tributo a um Marca-Touro, De Lauro A. Corrêa Simões:
- “quando um doze braças, com asas ligeiras se vai para o abraço nas mãos de um novilho”-
PRA O VERSO QUE DIGO (Cristiano Ferreira Pereira)
Classificado e CD da 3ª Reculuta da Poesia Gaúcha de Uruguaiana – 15/09/2004