Alma em Verso
Poesia

Promessa de Amor do Índio Pobre

Colmar Pereira Duarte

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O pingo atado ali no parapeito, mascando o freio, farejando a noite, foi a única testemunha desse adeus.

Duas gotas de luz vieram brincar nos olhos cor de mel da moça triste.

E seus lábios ficaram entreabertos a tremer como um pássaro assustado.

E nem os vagalumes, distraídos a costurar o escuro, escutaram a promessa de amor do índio pobre: - Eu voltarei para buscar-te, um dia. Mas antes andarei muitos caminhos à procura de um mundo pra te dar.

Retornarei a ti na voz dos ventos que susurram acalantos nas planuras, como a ninar o sonho que embalamos.

E teus olhos, profundos como o tempo que enfumaça recuerdos e distâncias, me entregarão o brilho das estrelas que florescem no abismo das lonjuras, nas madrugadas dessas noites mansas.

Eu voltarei para trazer-te, um dia, um vestido de nuvens e de espumas e um véu tecido com fios do luar.

Depois, farei moldar nossas alianças com todo ouro que puder guardar do último clarão que um sol, no ocaso, filtrar entre a ramagem das figueiras. Teu anel de noivado enfeitarei com a pedra preciosa de um luzeiro engastada no canto dos sabiás.

Pela estrada de luz da Via Láctea tu chegarás a mim sorrindo então... Uma tiara de lua em teus cabelos e uma rosa de aurora em tuas mãos.