Quando eu Volver
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Quando eu volver para o meu pago, um dia, e ouvir de novo a glória da querência na cordeona do pássaro gaúcho, encarnarei, — por tão curtida ausência -, as mesmas sensações de nostalgia que sofrem os caudilhos emigrados, conduzindo por Nortes indecisos, destroços de encontros mal peleados.
E volverei... como tantos outros piazotes, gaudérios e monarcas, guasqueados pela mão de sina ingrata que mui temprano vão tropear a vida; quarteando uma esperança em cada pata do bagual regalado, — pra ajudar...
— Minha mala de poncho será chica pra acomodar as roxas e os recuerdos — que o sinuelo trazido enquadrilhou;
e, talvez, seja o único que toque, em paga dos meus dias mal vividos, ao trote do meu flete por delante, quando volver ao chão que me criou. * * * Não sei o que serei, al fim, quando bater para a querência, um dia; e nem se a profecia daquele velho guasca guerrilheiro, que sacava em gesto largo do sombreiro quando falava de Osório e Canabarro, se cumprirá al final;
ou se será real, o que ele futurou seguro, na madrugada em que saí chorando, um choro parado, — de vergonha de chorar, - na bisonha coragem dos meus doze anos;
entre paisanos, que me bombeavam firmes, — pra animar... e o vulto flaco do meu cusco baio que ficou me olhando, de soslaio, olhando num olhar de quem entende...
Se o que ele sentenciou daria certo:
Muchacho lindo pra tourear a sorte! Tem brado d’armas; — vai dar um figurão; a cria té agora não negou; vai ser um Taita cá neste Rincão!
Pouco me importa o que serei, al cabo, De qualquer jeito, mouro e despirchado apearei no oitão do velho rancho.
Não na “alegria” dos abichornados, que buscam retovar com o pala fino, trapos e penas, em risos contrafeitos;
mas bolearei a perna rindo ancho, a risada dos guascas satisfeitos, que já deram peleia pro destino.
Depois, no cemitério do Rincão, espalharei as sempre-vivas da lembrança, que na vida haragana entropilhei;
campeando o parador duma saudade que mui tristonha lá ficou plantada, terei bem paga a vida já tropeada, se achar alguma das que ali deixei.
E aos manes do profeta gauchesco erguerei, na cova onde jazer, — uma cruz falquejada em cerne duro, que dure a pena que carrego em mim, por tudo aquilo que eu não pude ser.