Querência
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O pago das manhãs frias, onde me criei descalço quebrando duras geadas; o das tardes cismarentas, quando as primeiras estrelas desmaiavam retratadas no fogo dos carreteiros; o do galpão sempre aberto ao cansaço dos andantes, que parecia trazerem, na voz pausada e no gesto, todo o castigo do tempo e a sedução das estrelas...
Ah, esse tem o seu nome, que eu estou sempre a ouvir como um murmúrio de sanga, como um segredo recôndito, que mais se aperta cá dentro antes que brote nos lábios, porque, ao dize-lo, eu sinto, Querência, o doce retorno que quero e sei quanto é vão!
Querência!... A infância sozinha, à hora em que a suave ausente, minha Mãe vinha até mim, clareando o quarto esquecido. Seu vulto vinha da noite, vinha da noite e do tempo, que se escoavam lá fora, enquanto a chuva goteava do santa-fé dos oitões, com a intermitência impassível que há no perpassar das horas ou como um pulso que a gente precisa ouvir que ainda bate...
Querência! és bem como os frutos que pelos campos se criam como a tuna e o joá: a polpa doce se esconde entre os espinhos que ferem, como a fazer da lembrança que mais nos dói, a melhor...