Querência
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Querência, rincão querido Do bochincho e do fandango, Da boleadeira e do mango, Da coxilha e da canhada, Querência verde, orvalhada Dos ventos que se adelgaçam, Repetindo quando passam: - Já fui tudo e não sou nada!
Rincão da flor colorada No topete das morenas, Do tilintar das chilenas E do umbu, triste e sozinho De onde o ben-te-vi, do ninho Nas alvoradas serenas Desfia um sem fim de penas Na evocação de um carinho!
Querência do cusco amigo, Nobre e guapo companheiro, Do balcão do bolicheiro, Da china linda e do trago, Do paisano que anda vago Sem parador nem querência E vai curtindo na ausência Recuerdos de algum afago!
Querência do mate-amargo Cevado em fogão tropeiro, Do redomão caborteiro Que num upa corcoveia, Da cruz carcomida e feia Entre moitas de erva rala, Que tristemente assinala Vestígios de uma peleia!
Querência do carreteiro Sempre a cruzar ao tranquito Na sina de andar solito Junto a carreta que passa, Como duende que esvoaça, Levando para o infinito O fardo santo e bendito Dos atavismos da raça!
Querência de Trinta e Cinco Que a voz do tempo proclama Como cenário do drama De entreveros e guerrilhas Quando as lanças farroupilhas Nas arrancadas de glória Pontilharam nossa história No verde chão da coxilhas.
Quarência da gaita velha Que pacholeando se espalha, Do velho rancho de palha Abandonado ao rigor E o pavilhão tricolos Que foi sinal de batalha E hoje serve de mortalha Do gaúcho peleador!
Venceste o rigor dos anos Querência das noites calmar Porque és gravada nas almas Dos que seguiram teu fado E hão de ficar ao teu lado Na imensidão do teu bojo Bebendo o último apojo Das glórias do teu reinado!!!