Alma em Verso
Poesia

Rancho de Luz

Carlos Omar Villela Gomes

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Sentado à mesa, o mate novo, a vela acesa, o olho turvo Ouço mil cascos em disparada, lá por de trás da coxilha E o Negrinho gorjeia seu riso, por ter achado a tropilha Dou-te o lume da vela, a prece prometida Encontre minha alma que anda perdida A escuridão da noite ainda me traz Espíritos que vagam sem ter paz Aquerenciando o temor de encontrar Lá fora o fogo insensato do Boitatá.

São índios e padres, são negros, mulheres, soldados Que adentram o rancho e mateiam proseando ao meu lado Guiam-se pela prece aos braços abertos na cruz Enquanto a vela aquece os sonhos que povoam esse rancho de luz.

Indago a Cristo na parede, se pode um mate aumentar a sede Na chama da vela que se desfigura Vejo o campo e nele ecos de loucura Faíscas de adagas, a morte estampada Tempo das batalhas, de morrer por nada Murmúrios engasgados em pecado e dor Clamam ao meu lado a mão do redentor “Roque” na fogueira, sem o coração toma minha prece como extrema-unção o aço de “Latorre” vem pedir perdão da fúria da “criolla”, do sangue nas mãos.

São índios e padres, são negros, mulheres, soldados Que adentram o rancho e mateiam proseando ao meu lado Guiam-se pela prece aos braços abertos na cruz Enquanto a vela aquece os sonhos que povoam esse rancho de luz.