Razões das insônias que há em mim
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Meus olhos amanhecidos Reclamam noites de insônia Que há tempos venho passando
Parece que certas noites Eu fecho o mundo em mim mesmo, Tentando buscar razões Que a minha própria razão Não consegue compreender
La fora a vida acontece Longe de minha ansiedade, Alheia à minha vontade... Me sinto como se fosse De algum plano diferente,
Por que será, me pergunto, Que ás vezes me quedo triste Em meio à noite comprida, Que parece não ter fim; Ouço tropilhas ariscas A galopar pelas veias Na cadência das peleias Que existem dentro de mim
Será que as noites de insônia Trazem almas de gaudérios Pra matear junto comigo Num borralho de galpão... Será que as ânsias que sinto Me vêm de vidas passadas, Acordando as madrugadas Na dura lida de peão...
Às vezes, em certas horas, Ouço mugidos de gado Perdidos, soltos no ar, Como se a tropa estivesse Mugindo ao longe, na ronda, Pedindo o fim da tropeada, Por já cansada de andar.
Parece que a voz do vento Vem repontando latidos Que chegam aos meus ouvidos Como vindos de outro tempo...
São os latidos dos “perros” Que ajudavam na mangueira, Que misturavam-se aos berros Na saída da porteira, Quando algum novilho arisco Queria refugar brete, E o cusco grudava os dentes Bem na volta do jarrete
Quando o cochincho abre o peito Dobrando o canto sentido, O galo índio responde Como um guasca prevenido, Que alerta mantém o posto No comando do terreiro E ao retoço bate as asas Pra avisar que pelas casas Ele é o único posteiro
E quando a lua descamba Pra morrer atrás do cerro, Eu olho pro ovelheiro Que dorme alheio ao meu mundo, E conto cada segundo Que passa por mim agora,
Despácio, afivelo a espora De correias desgastadas, Cambona e cuia encostadas, Me resta encilhar o ruano, E o meu sombreiro orelhano Tapeado e copa batida Me deixa de bem com a vida, Sobre o basto castelhano
Os olhos amanhecidos Estendem miradas “lejas” Em rumos que mal conheço... Decerto pago esse preço De algum instinto ancestral
Talvez um dia eu entenda A razão dessa contenda E quem sabe me acostumo Com a idéia de buscar rumo junto à estrada real
Se um dia eu cambiar de sorte, Encontrar meu próprio norte E me plantar n’algum rancho, Que seja num descampado, Onde o mugido do gado Seja uma orquestra campeira...
... Haja uma prenda trigueira E um terreiro bem varrido; Um oito tentos comprido Cerrando em aspas ligeiras, Sonhos de horas inteiras Pra meus olhos bem dormidos