Remanso
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Marchava a noite em silêncio Na sua calma de monge E os galos cantavam longe, Harmonizando o sem fim! Sobre a quincha de capim A luz de pés descalços Rondava o sono dos salsos, Vestindo a terra de prata. Na soleira da cascata A sanga se debruçava E alegremente brincava Dançando na corredeira, Beijando o pé da figueira Donde o remanso rezava.
Neste palco a natureza Sorria na voz do vento Espelhando o firmamento Numa gota de sereno. Ao ver um ponto pequeno O mundo além do meu verso, Luzia o grande universo Sua beleza difuza! E a musa da minha musa Se calava na barranca. A seus pés, a espuma branca, Simbolizando a pureza, Sintetizava a grandeza Da vida que a vida arranca.
Um homem de barbas longas Cabisbaixo, girava a esmo, Falando consigo mesmo, Rememorando o passado. Vendo a vida d’outro lado Entre alegrias e mágoas, Refletindo sobre as águas Vertidas do seu olhar Que o tempo fez derramar Num turbilhão de ansiedade Por fim, veio a liberdade, E o AMIGO de barbas longas Hoje revive milongas Marcado pela saudade!