Retornança – Matheus Costa
VI Esteio da Poesia GaúchaPublicado em
Para os olhos da tapera - curiosos e sonolentos - quanto mais vertem lamentos, mais recorda-se o que era. Maiores são as esperas de adormecidas ruínas... ...Memória viva e genuína que o silêncio regenera.
Lonjuras e seus atalhos de passos, sanga e banhado; Todos por algo deixados a simples caminhos falhos. Artérias de secos galhos pulsando nestes vazios. ...Lugar de sonhos tardios, gotejado pelo orvalho.
Juro - e parece verdade - quando rondando-te, ainda, ver-te morada bem-vinda ao meu tempo sem vaidade. Desfrutar desta verdade incomum a outros tantos, é como beber teu pranto pra também sentir saudade.
Todo campo que te toma - macega, chirca, alecrim - imita algo que em mim mais e mais chega e se soma; São as cismas temporonas do que nos condena, a idade. ...Uma terrunha ansiedade, vasta de rugas e aromas.
Entendo, e jamais pudera não entender tal acaso, pois nosso destino raso contrário ao que é novo avança. ...Meu espírito criança e a tua alma, morada, são metades extraviadas de uma lerda retornança...
Nome dado a tudo aquilo que não contém a vontade de retornar claridade, num escuro tão tranquilo. O canto miúdo do grilo que a madrugada não cessa, não volta se não começa. - São passagens que assimilo.
Alimento essa fortuna que penso trazer comigo, com os mais pobres antigos que o meu interior reúna. ...Tristezas inoportunas não resumem meus amargos... ...pois, entre todas que trago, me alegro co’ ao menos uma.
Rumos largos e confusos abrigando o esquecimento... Alambrados onde o vento tem idiomas que traduzo... Os rincões que agora cruzo, são memórias que revejo... ...e as palavras que desejo já tombaram ao desuso.
Estradas de tardes mornas... Noites de chispas acesas... - ouvintes das incertezas de quem, um dia, retorna. A distância nos transforma com circunstancial vivência... ...e a terra veste a querência de tudo que ela se torna.