Revolução Farroupilha
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E revoltou-se o gaúcho Com a abusada monarquia E num grito de rebeldia Convocou a raça caudilha E acoou sobre a cochilha O seu clarim alarmado Convidando todo o estado Á revolução farroupilha!
Vieram dos quatro cantos Da província de São Pedro Os pelo-duros sem medo Raça nobre, pura flor Por bravura e por amor Peleariam lado a lado Embora morressem abraçados No pavilhão tricolor!
Bento Gonçalves da Silva De bom Jesus do triunfo Foi o ás de espada e trunfo Nesse tempo coronel E num desenfreado tropel Levava tudo por diante No repecho e no lançante Sem dar nem pedir quartel!
Mas no combate de fanfa Bento caiu prisioneiro Mas como gaúcho altalneiro Escapou-se da prisão Tinha por obrigação De retornar ao seu povo Empunhar a lança de novo Em defesa do seu rincão!
E voltou a comandar O velho quartel farrapo Vestido de tango e trapo Defendendo o seu ideal O negro e o índio bagual Também peleava unido Combatendo o atrevido E imposto imperial!
Peleava o negro escravo Por ordem do seu senhor E quando preto peleador Valente tombara E usando lança de taquara Peleou o índio primitivo Defendendo o chão nativo Do Rio Grande Tapejara
Lutaram sem usar farda Pelo duro e analfabeto Com o general Solza Netto Um gaúcho peleador Que expulsou o Governador Mas não lhe fez nenhum mal E hasteou lá na capital A bandeira tricolor!
Assim peleou o gaúcho No período de dez anos Mostrando raça e tutano Contra o império hostil Cravou a lança de perfio Apontando o céu azul Do meu Rio Grande do Sul Que é um escudo do Brasil!
Bento e Netto já morreram Mas renasceram na história Suas almas cheias de glória Voltam e agüentam o repuxo Seu esquadrão é sem luxo Que acampa em qualquer fogão Que tem carne e chimarrão, Cachaça ,prenda e gaúcho!