Responso a um Povo e a um Tempo Antigo
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Antigamente era assim A distância e pressa Davam a cadência do passo A sabedoria dos homens Vinha dos rumos dos ventos E da moldura do espaço Da natureza era as leis Da hierarquia ao reinado Vinha da força do braço.
O tempo fazia os mestres Doutores na plenitude Cuja ciência dos rudes Eram forjados os vaqueanos Talvez o tino pampeano Fosse o traquejo da lida Ou a essência da vida Nas teorias dos anos.
O certo é que os antigos Tinham no olhar a sabença E na palavra a sentença De quem não podia errar Era um antigofalar Que de fato acontecia Como e de onde sabia Inda ta por se explicar.
O meu pai já me falava Que meu avô era bruto Mas caudilho mui astuto Para enredar o inimigo Por certo tinha consigo Além das penas do mundo Algum saber mais profundo Que aprendera com os antigos.
Até parece que não! Mas progresso havia antes Quando centauros andantes Tinham horizontes mais claros E um sentimento tão raro De quem tem a alma presa As coisas da natureza E ao tino de seu cavalo.
Às vezes me ponho a pensar E eu mesmo falo comigo Quem foram esses antigos De tanta sabedoria Benzeduras, simpatias E misteriosas sabenças De curar tantas doenças Com jujos e homeopatias
E se falassem do tempo Eu sim, sei como explicar Era de se admirar Tão grande era a clareza De sentenciar com certeza De quem solta a própria alma Pra recorrer livre e calma Os campos da natureza.
É o vento estourar do Sul E os maricás florecer Prá um campechano saber Que é o inverno que se retova E cada estação nos prova Que não há melhor exemplo Que ler o mapa do tempo Num quarto de lua nova.
E o tempo segue rodando Se vai? S Não sei! Ou se vêm? O certo é que o tempo tem E muito a nos ensinar As vezes fico a pensar E até concordo comigo Que aqueles torenas antigo Devem estar em algum lugar. Talvez não tome mais mate Ao derredor dos fogões E nem fiquem nos galpões Nos dias de garoeiro Recompondo algum apero Ou trançando um bucal novo Para quebrar o retovo De um sentador caborteiro.
Talvez não saia a cavalo Pra recorrer sesmarias Vistar o gado de cria Ou revisar alambrado Nem bandeei um rio a nado Pra ver onde chora a cordeona E bailar c’oas querendonas Um vaneirão bem largado.
Talvez esses homens brutos Tenham mudado de estilo Cortando o pago tranqüilo Sempre trocando cavalos Que a evolução é um regalo E olhando aqui do futuro O passado que procuro Em sonho chego encontra-lo.
Miro pra dentro do tempo Mas com os olhos da alma E a ânsia bugra se acalma Como quem perde o retovo Pois reconheço em meu povo Estampas gaúchas amigas As mesmas almas antigas Vestidas de sangue novo.