Alma em Verso
Poesia

Boneca de Pano

Salvador Fernando Lamberty

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No baú de minha infância fui buscar inutilmente, minha boneca de pano, minha fiel confidente, meu mundo sem desenganos.

Pedacinhos de verdades dum quadro de fantasias, tão rústica e franzina, mas que tanto compreendia meus encantos de menina.

Queria minha boneca, cabelos loiros, compridos, ora liso, ora de trança, vestidinhos coloridos e os olhos verde-esperança.

As pernas, com enchimentos, como a erosão das areias, e brincos feitos de argolas, com o encanto das sereias e o corpo em forma de viola.

Babados contracenando com seios feitos de lã fechando a circunferência. Traziam lindas manhãs dos cerros lã da querência

Nasciam fontes de afago na maciez de seus dedos e os ouvidos... feito gente! guardavam os meus segredos e os sonhos de adolescente.

O seu olhar de ternura guardava o sol das tardinhas e as profundezas de um rio... Me sentia mamãezinha no seu abraço macio!

Mas o tempo chegou adulto, Ora sisudo... ora sapeca... repontando a minha idade, fez eu trocar as bonecas pelos seres de verdade.

Minha mãe, muito contente, presenteou tudo o que eu tinha, secando minhas artérias... - Minha filha está mocinha, vai cuidar de coisas sérias!

Foi-se a grandeza da alma e tudo o que era bonito, no crime de estar crescendo... ficou um mundo esquisito, com coisas que não entendo.

Acredito que os grandes, se agissem como os pequenos, sem ódio e desesperança teriam mundos serenos na grandeza das crianças.

Queria minha boneca, cabelos loiros, compridos, ora liso... ora de trança... vestidinhos coloridos e os olhos verde-esperança!!!