Sangue Farrapo
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Fui sempre assim - no campo aberto, muitos anos, guardando as linhas da fronteira - que empurrava, os índios - tigres - as peleias, castelhanos, primeiro sempre, quando a pátria me chamava!
Mas o descaso do império cresceu tanto que alcei um grito, de querência e geografia, compondo um hino de legenda com meu canto, que fez tremer - de cima a baixo, a tirania!
Choraram mães, pelearam pais, irmãos e filhos, porque - aos tiranos, pouco importa a dor alheia e andei dez anos, no calvário da peleia, na guerra santa, dos monarcas dos lombilhos!
Até o negrinho das formigas compreendia, no pastoreio, meus anseios de índio guapo, em cada nota do meu canto que dizia que eu era pátria - era Rio Grande, era farrapo!
Levou dez anos pra entender a monarquia, essa epopéia que escrevi, de lança em punho, e a história presta, com respeito, o testemunho que era ser pátria, apenasmente, o que eu queria!
Hoje - quer seja - funcionário, ou operário, ou da cidade - ou da lavoura ou do rodeio, ante os que aviltam o trabalho e o salário, se me obrigarem a escolher, volto e peleio!