4- Romance de Quem Chega para Ficar - Autor - Sebastião Teixeira Correa
I Concurso de Poesias Gauchescas – 31º Rodeio de VacariaPublicado em
Chegaste um dia no rancho, principiava a primavera E o meu coração tapera ganhou vida nesse instante, Foi teu sorriso o bastante pra encher de luz a morada E encontrar na madrugada a boieira mais radiante Tomaste conta de tudo, desde o quintal ao terreiro, Transformando-se em luzeiro pra iluminar os meus passos, No calor dos teus abraços reaqueci sentimentos, Esqueci dores, tormentos e me curei dos cansaços Tinhas nos olhos serenos um horizonte de paz E no seus lábios pequenos uma doçura capaz De adoçar minha alma inteira que amargava a solidão Ouvi o teu coração junto ao meu bater mais forte Era o amor, era a paixão... O destino dando o Norte Pra dois barcos que seguiam numa mesma direção II A sanga cantou mais alto ao coro de tua voz O varal pingou após gotas de pura emoção A espuma do sabão refletiu o céu azul Uma paisagem do Sul cabendo dentro da mão Na cacimba de águas claras enxerguei teu rosto lindo A lua chegou sorrindo pra iluminar a paisagem, O vento trouxe mensagem assoviando na quincha Como potro que relincha pra anunciar sua passagem
O quarto que era miragem, fechado feito uma alcova, Deixou de ser solidão, onde apenas um se mova, Pra completar-se de amor, de ternura, de perfumes ... O capão de mato assume a visão de um céu de estrelas Piscando luzes pequenas com brilho de pontesuelas Na contradança de sonhos da legião de vagalumes
III
Hoje, há uma cuia de mate que vai e volta na tarde Anda a passear sem alarde na concha de cada mão Dá pra ouvir a pulsação da seiva que vem da terra Tal como o touro que berra, cavando o duro do chão
Os filhos, alçaram vôo, como aves migratórias Pra fazer novas histórias, como a nossa, bem vivida Choramos pela partida e alegramos na chegada Há sempre uma caminhada com subida e com descida Enfim, o tempo passou desde aquela primavera, Envelhecemos no campo e a nossa maior espera É pra os dias que podemos lavar a alma de afetos
Quando um bando de irriquietos, com peraltas travessuras, Chegam pra invadir o rancho e nos encher de ternuras Nosso mundo de doçuras, nossas vidas, nossos netos!!!