De Ideais de Liberdade
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Alma estradeira, de horizontes largos, Sina de andante, por caminhos vagos, Sem pressa ou rumo, pois não tem encargos, E esse destino de tropear afagos
Os sóis de brasa, retemperam as ânsias, E as geadas grandes, fortalecem o cerno, Malgrado, a sorte de engolir distâncias, Entre os verões ou no rigor do inverno
Nas noites grandes, quando a lua cheia Por entre as dobras dos cerros, bombeia Qual china vergem, boliçando os seios,
Ouvem-se as coplas, no assoviar solito, Porque a lembrança de um amor proscrito Teima em voltar, pra reascender anseios
E este estradear, no vai-e-vem das horas, É a própria essência da filosofia, Timbrar milongas, retinindo esporas, Cantar com os galos, pra anunciar o dia
O tempo é eterno para os “sem-destino” Pois não tem pressa quem não quer chegar, Quem neste mundo tem viver teatino Só não tem tempo pra se aquerenciar
Há sempre um céu prá se contar estrêlas, E no silêncio tentar compreendê-las, Pois também vivem a estradear distante,
Se no infinito piscam seus luzeiros É porque têm a sina dos braseiros De aquecer o coração do andante
Entre os gaudérios, de viver sem norte A semelhança vem da liberdade, Não há alambrado, por mais firme e forte Que os aprisione, contra sua vontade
Quem cresce livre, tem ideais libertos Não se sujeita a se amansar de arreio, Nem busca atalhos, mas caminhos certos E a sua honra é seu maior esteio
Sempre existiu a sempre existirá Os andarengos, pelos “Deus-dará” Os sonhadores deste “mundo-a-fora”,
Desses que vivem pelos “sobre-lombos”, Que a cada pealo e, no calor dos tombos Levanta e segue... retinindo a espora.