Alma em Verso
Poesia

Dos Temporais

Sebastião Teixeira Corrêa

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I III A tarde desceu sebruna Eu fico, ao longe, bombiando Ponteando nuvens cinzentas, Essa tormenta que passa Dessa que, de branca espuma, Parece, mal comparando Se escurecem pras tormentas O destino de uma raça

O gado desceu mais cedo Da raça xucra do pago, Do lombo do coxilhão Judiada por temporal, E as curucacas, com medo E o vento Norte, pressago Voarem para o capão Traz a invasão cultural.

O vento começa, aos poucos, O Rio Grande se levanta, Lá longe, seus urros roucos, Embarga a voz na garganta Como um touro quando berra, Mas segura a tradição. E o redemunho passando, E o touro bravo escarvando, Porque, a lo largo, os matizes Fazendo tocas na terra. Da cultura, fez raízes Que se arraigaram no chão. II Há magia e há nobreza No culto do ritual, As forças da natureza Preludiando o temporal.

Os clarões se multiplicam, Quando o céu escurece, E os tambores já repicam, Trazendo a chuva que desce.

Do arvoredo, o copada, Se contorce, rebolcando Pela fúria de um tufão.

As raízes encravadas Se agarram desesperadas Ancoradas pelo chão.