Um Rodeio Para Dom Jayme
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O patrão Velho, afinal, Juntando esteio a esteio. Prepara o grande rodeio Da virada do milênio, Por isso, há mais de um decênio. Quem vem reunindo a peonada: - Uma tropilha aporreada. Tirada a ponta-de-dedo Pelo capataz São Pedro. Que abre a porteira da entrada.
Há quem diga que essa festa Vai durar a eternidade. Dizem até que, na verdade. Será o acontecimento Que marcará o nascimento Do primeiro CTG, Num plano que não se vê Lá, nas plagas do infinito, Onde tudo é mais bonito, - E todos sabem porque!
Haverá provas campeiras De todas modalidades, E nos palcos... variedades De danças, trovas, gaiteiros, Chuleadores, guitarreiros, Declamações e pajadas. Cruzarão as madrugadas Lá nos galpões do universo, Mandando verso e mais verso. No sem-fim das galponeadas.
Entre os tauras já “pealados”, Que estão na estância de cima. Desfiando rima por rima Num balcão de pulperia, Preparando uma poesia Bem pra chegado do ano, Estão o velho Aureliano, O Dimas e o Aparício: O marco Aurélio, por vicio, Com o Glaucus, no mano a mano.
Mas, pra que o grande rodeio Garantisse, plenamente, Precisava estar presente O maior dos campeadores O mestre dos pajadores Em qualquer lugar que ande... E o capataz disse: - Mande Buscar, no rigor do inverno, O esteio de puro cerno - Pajador do Rio Grande!
E assim partiu, de repente, O cunfúcio galponeiro, Arreatando o cargueiro Pra essa tropeada comprida Para o além da própria vida. Pra bem longe das Missoões: Se aquecer noutros galpões. Entre os braseiros de estrelas. “Com brilho de ponte-suelas” e o calor de mil fogões.
O coração safenado De há muito não dava trégua. E o velho se foi, chô-égua! Caborteiro e melenudo: Ele sabia de tudo. De peleias... De bochinchos... Cresceu quebrando corinchos De muito ventena alçado. Criando galo prateado Para o terror do cochinchos.
Seus versos foram puaços Na alma dos insensatos. Contou histórias - relatos, Denunciando as injustiças: Filosofou com premissas De quem conhece o riscado. No seu jeito abarbarado. Foi algoz dos malfeitores: Foi doutor entre os doutores, Sem nunca ter se formado.
Da velha São Luiz Gonzaga. Pra o mundo, essa criatura, Foi exemplo de postura... -Torena, xucro e honesto Cada poema, um manifesto Em defesa da querência. Na calmaria – a paciência De um monge, em meditação: À tirania – um vulcão Em completa efervescência!
É pena que alguns “letrados”, Com visões superficiais: Que não conhecem os anais Do Rio Grande e seu passado, Tenham, as vezes criticado O autenticismo das rimas Alheiro a outras doutrinas O Pajador Missioneiro. Esporeou o tempo inteiro, Sem nunca largar das crinas...
E agora, atende ao chamado Do Patrão Velho do Céu, Para fazer um tem-déum Na imensidão do além-mundo. Deixa um legado profundo Às gerações que virão: Que, por certo, encontrarão Nos versos que foram seus, Um culto de amor a Deus. Ao pago e à tradição.
E quando, a noite, o minuano Assobir nalguma quincha. Varando, de leve, a frincha De um rancho tosco, barreado, E as cordas de um alambrado Timbrarem pelo relento, Fazendo acompanhamento À guitarra, murmurando, Será Dom Jayme, Pajando Nos galpões do firmamento!!!