Sem Perdão
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Perdoe se me emociono com a magia do poema, Mas o pensar e a verdade transpõem a realidade, Levando-me de viagem a um plano sem gravidade Que extrai de mim, pro papel, a intensidade do tema.
Compreenda, que aquele que por amor escreve, Se eleva além dos sentidos e por diversos motivos Se faz rima e verso, se faz da emoção um cativo, O mais humilde vassalo de sua própria verve.
Por estranho que pareça a emoção incontida, Esse fluir de vertente em busca de dar vazão Ao versejar mais dileto, brotando do coração.
É fruto maduro, é saudação à vida, É o caudal da fecunda inspiração Que trás para o mundo a razão.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Por certo o imperdoável é não brotarem sentimentos, Não haver reflexão, nem nexo em cada tema. Por que as razões e sentidos do mais singelo poema, São fundir a essência de cada um com o seu melhor pensamento.
É essa emoção que arranca o nó que prende a garganta; Que trás a estrofe que marca qual ferro em brasas; Que trás o cheiro “das casas” àquele que bateu asas, Que ameniza a saudade e ao coração acalanta.
Imperdoável seria se um poeta não se emocionasse, Se fosse frio e aos seus versos faltasse O que transcende a razão e dispara o coração.
Sem Perdão! Nada seria sem que me apaixonasse, Por cada verso que de um amor imenso nasce, Para ser semente da vida e para ser da alma o pão.