Seresteiro Violão
José Mauro Ribeiro Nardes e Mário Amaral
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Quando a saudade ponteia O meu tempo de criança Pelas linhas de “pescar” Trinam antigas lembranças
A caixa de marmelada Moldava o fundo e o tampo Com um corte se abria a boca O rastilho preso a um grampo
Ao pé do braço, a alma, Para firmar o meu pinho De um galho de pitangueira Onde o Sabiá faz o seu ninho
O cavalete e a pestana Do seresteiro violão Foram feitos a capricho Pelas mãos do artesão
As cravelhas de angico Retratavam a experiência Ao afinarem as cordas Com a gana da querência
As cordinhas esticadas A cifra escrita na mão E as batidas vibravam A casa do coração
Cada seresta que escuto No galpão do pensamento Minha vida se renova No timbre do instrumento.