Alma em Verso
Poesia

04 - As Nossas Encruzilhadas - Sérgio Sodré Pereira

Sérgio Sodré Pereira

15º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

Eu desconheço os motivos pelos quais mereci o regalo de, um dia, o teu cavalo encostar no meu de lida; na Estrada da vida surgiu esta encruzilhada em uma noite abençoada quando buscastes guarida.

Ficaram claros os caminhos quando estendestes o brilho do teu olhar de filho que cuida os atos fraternos - ali, enrijeci o cerno, topei geadas, mormaços e entreguei os meus braços a este amor eterno. Logo outra encruzilhada apartou os cascos dos pingos - eram tristes os domingos pelo peso da distância - ...a saudade era uma estância com quadras quase sem fim e eu só queria, enfim, andejar a tua infância.

...e vieram tantas luas de cevaduras lavadas; vieram pedras na Estrada e passos crescidos por enchentes que vazam do olhar da gente nas ausências sentidas quando as léguas da vida faz um de nós ser ausente. E foram visitas curtas (pouco tempo pra viver) e a lida a me prender longe do que realmente importa - nesta hora só conforta a cuscada avisando que um bem querer vem chegando com um Oh de casa na porta.

Mas...depois de tantas léguas outra cruzada te trouxe e a dor que havia acabou-se com oito cascos tranqueando e a vida, no más, passando - pai e filho, lado a lado - com encruzilhadas no passado e outras tantas se achegando.

Talvez nos espere aquela que mostrará o teu rumo, de buscar o teu consumo - tuas razões pra andejar. É cedo para pensar mas talvez em algum domingo eu veja a anca do teu pingo sumindo do meu olhar. Nesta, erguerei um rancho esteiado de lembranças do teu sorriso criança, dos teus pingos de taquara. Minhas relíquias mais raras - tesouros de uma vida – as emoções mais sentidas neste tempo que não pára.

Filho meu, virá o dia - e tomara que se demore – que em uma encruzilhada tu chores por ter chegado ao fim a nossa história e, assim, com Deus seguirás sozinho, mas saibas que pelos caminhos serás o melhor de mim.