Os Avós e Nós
Do avô, eu lembro a estampa, Com seu lenço maragato... Da avó, o sorriso terno, No silêncio dos retratos.
O avô vinha assoviando Da sua lida campo afora...
-E nos trazia estrelas Nas rosetas das esporas!
Mi’avó sabia receitas Feitas com mãos de amor...
-E nos fazia quitutes Com ternura no sabor!
Quais figueiras centenárias, Mesclando sombra e raízes... Os avós eram felizes Quando nos viam felizes! Davam colo pra os seus netos, Feito filhotes no ninho... -E os ensinavam a voar Como fazem os passarinhos!
Os avós cardavam nuvens Pra enfeitarem seus cabelos... E ofereciam carinhos Em potes de caramelos!
Mais que o timbre familiar Que encanta a todos nós, Há um sotaque de saudade Que vem na voz dos avós!
Os avós renovam juras No abraço de cada encontro, A sombra do amor antigo Que sentem um pelo outro. Os seus passos de pantufa
E aquele doce olhar manso... Ainda embalam meus sonhos, Na cadeira de balanço.
A vocação dos avós, Além de apontar caminhos, É criar filhos pra o mundo E envelhecerem sozinhos...
Quando um por um, vão-se todos, Deixando mais sós as casas...
-Os avós criam raízes Pra que os outros ganhem asas!