Simplicidade
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Homem simples, da campanha, É pra ti meu vercejar, Neste singelo cantar Que aprendi desde cedo A poemar em segredo Junto com a passarada Quando rompia a alvorada Enfeitando o arvoredo.
Teu viver simples contém Toda singela beleza Junto da mãe natureza Que tanto pode nos dar. Pois sabes valorizar Cada flor, cada perfume, O brincar dos vagalumes E o encanto do luar.
Colhes o fruto da terra Que semeias pelos campos, Tendo aí mil encantos Que aqui não posso ter. Assistes o sol nascer Pisando a relva molhada Tens campos brancos de geada, E o encanto do entardecer.
E adormeces aos sussurros Da murmurante cascata, Caindo em chuva de prata Com respingos de luar Que feliz, vem se banhar, Coberto de um lindo manto Bordado de mil encantos Lá no céu vai descansar.
Pisando o tapete verde Deste nosso chão divino Como eterno menino Nem sente a vida passar Entre o sol e o luar E a primavera das cores Num arco-íres de amores Para o teu mundo enfeitar.
As tuas mãos calejadas Que engrandecem o pampa Sinto o amor que se acampa Dentro do teu coração trazes na alma a tradição, É tão franco o teu sorriso Habitando o paraíso No verde do meu rincão.
Por isso, homem do campo, Eu te admito e respeito, Pois conservas em teu peito Tamanha simplicidade Sem conhecer a saudade De quem se ausenta do pago, Por isso teu mate-amargo Tem gosto de liberdade.
Enquanto aqui na cidade Vivo mateando solito Sufocando o próprio grito Que tenta saltar com ânsia Para vencer a distância Que me separa de ti. Lindo torrão em que nasci Onde passei minha infância.
Eu te peço, homem do campo, Que não te afastes da terra, Aqui só se fala em guerra, Tu aí semeias paz, Na plenitude que traz Tua semente de vida Na paisagem colorida Que a mãe natureza te faz.
Vai pra ti, meu canto chão, Toda a pureza da sanga, No gostinho da pitanga Que o meu viver acompanha Nesta ternura tamanha Canto chão é minha alma Que adormece da calma Entre os braços da campanha.