Alma em Verso
Poesia

Sonetos de uma morte pérfida

Maximiliano Alves de Moraes

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I Terêncio!Pega o Baíto! Que esta tarde fez estrago Numa ponta de borregas!

Terêncio! pendura o cusco! Que este guaipeca maula Já não vale uma “pelega”!

Uma maneia sovada Cerrou na garganta branca E um galho de guajuvira Serviu de braço pra forca.

Subiu torcendo a cabeça, Mordendo a maneia forte, Mas logo soltou o corpo Provando o gosto da morte.

II Terêncio! solta a maneia! Que o matador de ovelha Já não morde mais ninguém!

Terêncio! Enterra o cusco Pra que a cachorrada nova Não pegue a balda também!

E o baio pendurado Ainda tremia a carne Quando a mão do Terêncio Cumpriu a ordem covarde.

Ainda os gritos do cusco Vinham na alma do peão, Que foi soltando a maneia E apertando o coração.

III Há pouco o baio coleira Festejava o peão campeiro Lambendo-lhe o tirador.

E cabrestiou na maneia Para encontrar-se com a morte Mudando a tarde de cor.

Terêncio levou Baíto Qual fosse um filho no colo, Alma estivada de culpa, Embora sem nenhum dolo.

Baíto voltou pra terra Em condenação insana, Morrera por puro instinto, Pela crueldade humana.

IV Quanta clemência se vê No azulado do olho De um cachorro enforcado!

E quanta maldade há No fosco olhar ambicioso De quem ordena o pecado!

Terêncio sangrava ovelhas Sob o olhar de Baíto. Como entenderia o cusco Matá-las ser um delito?

Estranha esta lei humana Que mata ao primeiro erro, Ignorando o instinto Do mais fiel companheiro!