Tempos de Infância
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Lá nos fundões da estância Pés na água, esfriava, Depois, pelos campos andava Com meu cavalinho de pau.
Um vento forte soprava E uma pandorga também soltava Bem no meio do arrozal.
Andava com pés descalços Brincava com jogo de osso, Laçava vaca parada Depois corria com a cachorrada.
Vida simples, cheia de bênçãos Junto de meus pais e irmãos, Que contavam várias lendas Até do bicho papão.
Certa feita, chegando em casa Lá na margem do rio Ligeiro Vi ao longe, num receio A tal mula sem cabeça!
Saí em disparada Fazendo maior gritedo Minha mãe mui assustada Num disparo sai correndo
Se vai cruzando os bretes Achando ser o fim do mundo E eu feito defunto Paralisado e cheio de medo
Não era não, a mula sem cabeça Era apenas o baio fujão Que por detrás de uma coxilha Me pareceu assombração.
E a mãe, em disparada Me deu uns safanão Quase que mato coração, Minha mãezinha abençoada.
E assim vou passando os dias Nesta vida aqui da estância Vivendo tempos de infância Neste fundão que assovia!