Umbu de Tapera
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Guitarreando a tradição crioula, o pássaro bagual de topete colorado escolheu para cancha a última forquilha do umbu esguaritado, da tapera carquincha.
Então, — quando o luzeiro se adelgaça, sangrando o topo das coxilhas e passa um tição nas grotas e canhadas, a guitarra campeira começa a melodiar nas madrugadas, a história da paragem:
Um Tuxava Charrua, na última boleada do avestruz bordara-lhe uma cruz, na casca nua, porfiando arremedar o signo dos Padres da Missão,
num vago entendimento da imensa evastidão do sonho Jesuíta...
Depois, um tapejara rastreando um boi perdido, a marca lhe riscara. E um gaúcho afligido por mal de mulher como recuerdo amargo de esperança vaga, gravou-lhe um coração na ponta duma adaga.
E passaram os Pátrias, peleando em repontes caudilhos escapos, gozando-lhe a sombra. E lanceiros Farrapos, alçando-se em pala, nos galhos frondosos, bombearam sestrosos confins de horizontes...
Carretas e tropas cruzaram de pouso, deixando de rastro, chamuscos no tronco; malevas e tauras na vida matreira, campearam repouso na mesma fogueira.
E coplas de ausência, em noites silentes que o mesmo que a cinza o vento espalhou, pontearam dolentes, em dengues compassos;
e diz que uma feita dois Tebas gauchaços, por ódios de sangue, jurados de morte, tercearam a sorte na mais buena Lei!
Egual que um testigo que nunca se abriu, o umbu carcomido, o abrigo reiúno, calado, esquecido, a tudo assistiu.
Assim, a árvore caduca, a estátua do deserto, é o livro da querência e sempre aberto, escrito em cicatrizes. E afrontando o presente, recordando o passado, Minuanos, “mandados”, só folhas lhe expande;
porque tem as raízes cravadas bem fundo na fé do Rio Grande! e ali — num raiar de Outubro, quando a madrugada cor de sangrador, mal pegou tingir do velho umbu, o derradeiro noque, o pássaro trovador corneteou que retiniu mui longe, o último toque de reunir...