Os Homens de a Cavalo
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Houve um tempo, em que os chapéus conduziam os homens, que enxergavam por entre orelhas o mundo que os espreitava.
Tidos por primitivos, traçavam diálogos e trocavam idéias com seus “carros vivos”.
Tidos por tolos, adivinhavam o tempo e sabiam das secas pelos por-de-sóis.
De áridas faces e ocres bigodes.
Tidos por barbáros, pelo aço da faca, pela força da carne, pelo pão da pobreza.
Atrapalhavam a fala entre o português e o espanhol dos seus pais que vieram de “lá não sei donde” e atrapalhavam a pátria, riscando de cascos as duas fronteiras.
Domando, carneando, chibeando...
Tidos por primitivos estes homens adoravam o fogo com olhos grelados, bebendo os amargos, sorvendo infinitos por horas a fio.
“Grossos”, assim eram chamados quando em sons guturais ecoavam tajãs de suas gargantas...
Em gritos, milongas prás unhas de gato brincarem c’oas cordas.
Esporas de andar com as botas, e botas de passear com estribos, estribos de cruzar estradas, campos fundos, invernadas, tocas e covas de touro...
Foi destes homens que eu herdei o lenço, a bombacha e a força prá viver sem soga...
Embora hoje eu plante cimento e pergunte ao vento pr’onde foram as tropas...