Alma em Verso
Poesia

Vergonha – Matheus Costa

Matheus Costa

II Florada de Versos (Virtual) - Blumenau - SCPublicado em

Quem te assume, pobre moça renegada deste mundo? Escondida n’algum fundo, entre o ego e a ganância. ...Tua genuína importância tombou ao esquecimento... E meu verso é teu lamento, tua voz e tua verdade. - Vergonha é sobrar vaidade quando há falta de argumento.

Vivendo à sombra da culpa ao júri eterno do alheio; Neste tempo, agora cheio de mentirosas palavras, me envergonha quem te lavra sem olhar o que carrega... ...Sem notar que anda, às cegas, no descaminho do bem. - Vergonha é julgar alguém pelos conceitos que prega.

Estás rondando os errantes mas nenhum te reconhece. E aquele que te merece, talvez relute o sentido de pouco ter aprendido com o peso desta cruz. ...Mas o círio que conduz e germina tua semente, há de clarear, novamente, os homens pobres de luz.

Eu que, num dia, confesso: quis ter tanto e ter “de um tudo” - Pensamento tão miúdo, capaz de tornar-me só… - Vi a vida, sem ter dó, vindo cobrar-me a valhia da covarde valentia de perder toda humildade pra alimentar a vontade daquilo que não devia.

Daí, revisando as horas (essas que se passa à toa) comuns à qualquer pessoa da mais diversa intenção. Fui compreendendo a razão da vergonha permanente que deve existir na gente; Afinal, por vezes, penso que caráter e bom senso nos definem diferentes.

Destino e outras vivências sagradas para o que anda, são o norte que comanda todo rumo em desvario. E os dias, anos à fio… ...são ressábios, em verdade, à terrunha liberdade de todo aquele que sonha, mas teima sentir vergonha de quando sente saudade.

Mesquinhas farpas alheias extraviadas “sabe d’onde” lugarejo em que se esconde a fraqueza do que fere. ...O que - matreiro - prefere ser o cruzador primeiro deste ciclo passageiro... Até que o mundo lhe ponha num lugar onde a vergonha faça dele um prisioneiro.

Quem te assume, pobre moça renegada deste tempo? Se toda escassez de exemplos de bondade e de justiça, somente o contrário atiça para aqueles que virão. ...Desencontro a gratidão nas entranhas deste escuro... - Vergonha é não ser tão puro quanto o próprio coração.

És confidente aos antigos - os que tem restos de outrora – Tão incomuns aos de agora e aos caminhos desparelhos. Estás viva nos espelhos dos ranchos, como em vigília... ...como parte da mobília, à prezar pelo bom grado e pelo pendão sagrado que há no cerne da família.

Vergonha tem sono leve e desperta – à qualquer hora – Quanto mais ela demora, mais tamanho, enfim, terá. É um sopro do “Deus-dará” pra bem de toda consciência... ...Fazendo com experiência, o que alguém jamais fará.

Compará-la, ainda é pouco pra definir sua valia. Vergonha é luz que nos guia contra o conforto de um trono. É o espinho em abandono que, mesmo temendo a dor, despe as pétalas da flor antes dos ventos do outono.

E aquele que te guardou no “pra sempre” da memória, recorda, contigo, histórias e com isso, ainda sonha. Não quer que nada componha um final sobre a tua sina... Pois, na hora em que terminas, resta, o povo, sem vergonha.

Quem te assume, pobre moça, senão os de bom instinto? Os que sentem como eu sinto o peso que tens na talha... Se o tempo nos embaralha e a vergonha assume a culpa, a idade não é desculpa por uma atitude falha!

Vergonha... Teu simples nome, com tão recheadas entranhas. - Estás viva no que ganha mas – sob um justo momento - abre mão de todo trento, pois, reconhece teu crivo... E, vencer é um erro vivo, se não há merecimento!

Quem te assume, pobre moça? ... - Quisera, todo cristão! Que teu rancho – o coração – seja sempre este somente. Vergonha é sumo paciente servido à sede da alma, pra – gole a gole – com calma curar o que há de imperfeito, sem deixar marcas no peito nem cicatrizes nas palmas!

Repito a rima insistente, como terminal verdade. - Estou livre da vaidade quando preso na poesia. O que mais precisaria neste mundo de peçonhas? Se meu verso, ainda sonha, livrando os rumos à esmo... ...e, apenas de ser o mesmo, é que não tenho vergonha!